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O que a Ciência descobriu às escuras

Para alguns cientistas, os eclipses solares totais são mais do que um espetáculo astronómico. São laboratórios únicos de investigação! Há algumas experiências científicas que se realizam apenas durante os breves momentos de um eclipse solar total.

O elemento hélio foi descoberto nas estrelas!

Em 1868, durante um eclipse total visível na Índia, um astrónomo observou a cromosfera solar e detetou uma linha espectral amarela que não correspondia a nenhum elemento conhecido. Um outro astrónomo chegou à mesma conclusão,embora de forma independente: aquela linha pertencia a um elemento que ainda não tinha sido identificado na Terra. Chamaram-lhe hélio, do grego Helios, o Sol. Esta descoberta só foi possível porque um eclipse tornou visível o que normalmente está ofuscado pelo brilho da fotosfera.

Einstein e a luz que se dobra

Em 1919, duas expedições científicas partiram para destinos diferentes: uma para São Tomé e Príncipe, outra para o Brasil. Os cientistas pretendiam testar, durante um eclipse total, uma previsão da Teoria da Relatividade Geral que Einstein publicou quatro anos antes.

Supostamente, a gravidade curva o espaço-tempo, pelo que a luz de estrelas distantes deveria ser deflectida ao passar perto do Sol. Acontece que, em condições normais, é impossível ver estrelas próximas do Sol porque o seu brilho ofusca-as completamente. Mas durante um eclipse total, as estrelas ficam visíveis e a posição aparente das estrelas próximas do disco solar pode ser comparada com a sua posição real, medida quando o Sol está noutro ponto do céu.

A experiência mostrou que a luz dobrava-se exatamente como a teoria previa. Einstein tornou-se famoso da noite para o dia, literalmente!

Estudos atuais

Atualmente, os cientistas têm um assunto por esclarecer: a temperatura da fotosfera é de cerca de 5 500 graus celsius, enquanto que a temperatura da coroa, a camada exterior, está entre um e dois milhões de graus celsius.

Não faz sentido que uma camada mais exterior seja muito mais quente do que a superfície que lhe fica por baixo, pois os objectos arrefecem à medida que se afastam da fonte de calor. Existem algumas hipóteses, mas nenhuma foi definitivamente confirmada. E um eclipse total é uma oportunidade para voltar ao assunto.

Há um pormenor na ciência feita durante eclipses: tem um prazo muito curto! Desta vez, são 26 segundos… e não há segunda oportunidade. O eclipse de agosto será um momento científico e um espetáculo. Há muito mais para explorar… em breve.

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